Desoneração de cesta básica ajuda na alta da bolsa

Citi Corretora – O Ibovespa encerrou a sessão em alta de 0,19%, aos 58.545 pontos, após cair 1,1% na mínima do dia.

Bolsas no exterior operaram sem tendência definida, com os mercados na Ásia e na Europa reagindo negativamente ao rebaixamento da nota da Itália pela Fitch e também aos dados econômicos abaixo das expectativas na China, enquanto as bolsas dos EUA seguiram em alta.

Apesar dos dados negativos sobre a economia chinesa, Petrobras (+2,9%) e Vale (+1,4%), que operaram em baixa durante a maior parte do dia, viraram para território positivo no final da tarde. Gafisa (+5,7%) liderou as altas antes da divulgação de seus resultados trimestrais. Cesp (+4,0%) teve a segunda maior valorização do dia após ter recomendação elevada por uma corretora concorrente.

Ações de Consumo & Varejo também mostraram boa alta com o anúncio de desoneração dos produtos da cesta básica, com destaque para Pão de Açúcar (+3,2%). OGX (-14,8%) voltou a liderar as perdas do Ibovespa após dado de produção de fevereiro frustrar as expectativas do mercado.

O giro financeiro totalizou R$6,1 bilhões, cerca de 10% abaixo da média das últimas 20 sessões.

Flash 2 – Produção industrial bem acima do consenso do mercado

07 flasheconomico 02_corretoProdução industrial (PI) subiu 2,5% em janeiro ante dezembro , ficando bem acima das nossas expectativas e do consenso. O crescimento foi generalizado entre todas as categorias de uso, com destaque para o enorme aumento na produção de bens de capital. Apesar da surpresa, não esperamos que o fraco desempenho da indústria nos últimos anos , em comparação aos outros setores da economia, seja revertido no curto prazo. Isto é, mesmo reconhecendo a melhora na produção de bens de capital em janeiro, a queda acentuada na produção de automóveis em fevereiro sugere uma acomodação da produção neste mês.

Pontos-chave

Entre as categorias da produção industrial, bens de capital, bens duráveis, bens intermediários e bens não duráveis subiram 8,2%, 2,5% , 0,9% e 0,2%, respectivamente ( janeiro ante dezembro). Portanto, a expansão da produção em janeiro foi generalizada. Segundo a Anfavea, a produção de automóveis caiu 10,5% em fevereiro (4,8% em janeiro), sugerindo que o aumento da produção de bens duráveis em janeiro é provavelmente temporário.

Houve algumas revisões na série histórica original, quanto na ajustada sazonalmente. Agora, a produção industrial aumentou 0,2% mês ante mês, em dezembro (de 0%), ao passo que, em outubro, houve um aumento de 0,9% (de 0,6%). Assim, a média móvel de três meses da produção industrial aumentou 0,4% em janeiro ( ante -0,1% em dezembro), confirmando o melhor desempenho da produção na margem.

Além disso, de acordo com o nosso procedimento de ajuste sazonal, a construção civil cresceu 1,7% mês ante mês em janeiro, revertendo a queda deste indicador observada nos dois meses anteriores. Em uma base intraanual, a série expandiu 1,7% (-4,1% em Dezembro), reforçando o forte desempenho do setor industrial em janeiro.

Flash – Taxa Selic mantida em 7,25%

07 flasheconomico 02_corretoEm decisão unânime, o Copom manteve a taxa Selic em 7,25%, em linha com o consenso do mercado. No entanto, no comunicado divulgado após a reunião, o Copom retirou a sentença que dizia: “a estabilidade das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta”.

Ao mesmo tempo, o Copom mencionou que irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico para definir os próximos passos da política monetária. Para nós, a declaração pode significar a adoção de uma estratégia mais dependente aos dados\, o que aumenta a probabilidade de um ciclo de aperto monetário nas próximas reuniões. Apesar desta mensagem, vamos aguardar a divulgação da ata (em 14 de março) para definir a nossa perspectiva com relação à política monetária. Até agora, esperamos que a taxa Selic mantenha-se estável durante este ano.

Pontos-chave

De acordo com a declaração: “Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas de inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 7,25%. O comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a próxima reunião para definir os próximos passos da estratégia de política monetária “.

A ata do Copom, a ser divulgada em 14 de março, irá esclarecer as principais motivações para a decisão de excluir a expressão “período suficientemente prolongado” do comunicado. Para nós, a ata provavelmente se concentrará sobre as perspectivas de deterioração do cenário inflacionário, enfatizando a alta inércia embutida nos recentes números do IPCA.

Termômetros da economia são divulgados nesta semana (Atualizado)

Marcelo Kfoury3Esta semana foi marcada por indicadores que deram o termômetro da economia nos próximos meses.

Na segunda-feira (ontem), nosso economista-chefe, Marcelo Kfoury, publicou na Folha de S.Paulo o que nos aguardava na semana.

Alguns destaques (atualizados em 22/2 com os indicadores divulgados): Nas vendas ao varejo, os indicadores antecedentes já disponíveis (vendas de supermercados, cheques devolvidos) remetem a um aumento de 0,9% em dezembro sobre o mês anterior e de 7,3% sobre dezembro de 2011. As vendas de varejo ampliadas, que incluem carros e materiais de construção, devem ter resultado ainda mais expressivo. Divulgado aumento de 8,4%.

Outro importante indicador da semana é o IBC-BR. Dado que a produção industrial de dezembro foi zero e é esperado um resultado positivo das vendas ao varejo, esse indicador, que tenta antecipar o PIB, deve vir ligeiramente positivo: 0,2% m/m. Divulgada desaceleração de 0,26% e fecha 2012 com alta de 1,35%.

Já o IPCA-15 deve chegar a 0,65%, de acordo com a análise de projeção do Citi. Esse resultado poderá apresentar alguma melhora em relação aos índices de inflação de janeiro, pois o recuo dos preços da energia diminuirá em 0,5 p.p. a inflação mensal. Divulgado IPCA-0,68%

Em contrapartida, será possível sentir a força do reajuste anual dos gastos de educação, que, no caso do IPCA, sempre incide em fevereiro, e do aumento da gasolina, com um impacto de 15 bps (ou seja, 0,15 ponto percentual).

A conta-corrente de janeiro será outro indicador importante. O resultado da balança comercial foi deficitário em US$ 4 bilhões. Além disso, é projetado um deficit de US$ 5,2 bilhões na conta de rendas e serviços, totalizando então um deficit de US$ 9 bilhões, um recorde negativo nas contas externas. – Divulgado às 11 horas: a conta de transações correntes (balança comercial, serviços e rendas) a registrar, no primeiro mês deste ano, um resultado negativo de US$ 11,3 bilhões – o pior desde 1947, quando tem início a série histórica do Banco Central.

Esse cenário foi em parte compensado pelo investimento estrangeiro direto que, por estimativa, irá a US$ 4,5 bilhões no mês e US$ 64 bilhões nos últimos 12 meses.

A semana contará também com a divulgação do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que apresenta uma expectativa de fragilidade nas contratações formais. Os índices contradizem a pesquisa mensal de emprego do IBGE, que apresentou um mercado de trabalho bastante apertado. – Ainda não divulgado

Por último, a confiança do empresário industrial de fevereiro deve continuar com uma melhora discreta, demonstrando uma falta de fôlego para investimentos vultosos no setor. Divulgado melhora de 1,4 pontos.

“Traduzindo” o cenário e as perspectivas para a inflação brasileira em 2013

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Nossa equipe de economistas finalizou uma análise da inflação no Brasil, e nós trazemos o texto exclusivo para você, que nos acompanha sempre nas redes sociais! Conteúdo de qualidade e sempre no formato que você espera.

Quando analisamos a inflação no Brasil, em vez de pensar em termos de efeitos estruturais e sazonais, consideramos mais útil dividir o indicador nos seguintes grupos: preços de monitorados, preços de alimentos e preços de bens comercializáveis (produtos que sofrem concorrência externa e, por isso, têm preços negociáveis, tais como soja, milho, roupas) e de bens não-comercializáveis (serviços não negociados no exterior e, por isso, não sofrem influências da variação do dólar).

A volatilidade da inflação no Brasil está bruscamente relacionada aos movimentos nos preços de alimentos, que subiram quase 10% no ano passado. Além disso, o estreitamento do mercado de trabalho produziu um nível alto de inflação não-transacionável, que já gira em torno de 7%. Por outro lado, os preços de de bens transacionáveis monitorados aumentaram parcialmente, contrabalanceando a inflação de serviços.

Preço dos alimentos em 2013

A inflação dos alimentos é a principal responsável pela volatilidade da inflação no país atualmente. De acordo com o nossa avaliação dentro do nosso modelo, a inflação brasileira irá alcançar os 6,6% em junho deste ano, com a inflação dos alimentos atingindo o seu maior patamar, de cerca de 12%. A expectativa de preços mais elevados é consequência do aumento no preço das commodities, aliada a uma taxa de câmbio relativamente estável, que está pressionando a inflação dos alimentos para cima. Se os preços deste grupo seguirem nossas perspectivas e retrocederem ao final do ano, a inflação de 12 meses acumulados no Brasil deve recuar no segundo semestre de 2013. Além disso, vale destacar que a presidente Dilma Rousseff já anunciou que espera eliminar impostos de alimentos essenciais.

Expectativas para preços de serviços no Brasil

Já a inflação de bens não-transacionáveis gira em torno de 7% a 8% desde 2010 por causa do estreitamento do mercado de trabalho. Em 2012, a taxa de desemprego estava em 5,5%, nível significamentemente mais baixo do que os 6% vistos em 2011 e dos 6,7% registrados em 2010. Para este ano, não esperamos uma piora no mercado de trabalho a ponto de afetar consideravelmente os preços de bens não-comercializáveis. Mesmo com menor aumento do salário mínimo, nós acreditamos que esses valores continuarão a subir dentro da faixa de 7% a 8% em 2013.

Perspectiva geral para o ano

Ao longo deste primeiro semestre, a inflação será consideravelmente afetada por efeitos pontuais. O corte de 18% no preço da conta de energia dos cidadãos irá afetar os números de janeiro e fevereiro, com um impacto estimado em torno de -60 pontos percentuais. Por causa disso, os preços de monitorados contribuirão para conter a elevação da inflação em 2013, aumentando apenas 2,5%.

No entanto, cortes em impostos para carros – que estão sendo gradualmente reduzidos neste primeiro semestre (gerando um impacto de cerca de +30 pontos percentuais) – junto ao aumento no preço de cigarros em janeiro, estão pressionando os preços de bens comercializáveis, que devem aumentar em torno de 6% neste ano, após registrarem uma elevação benigna de somente 2,96% em 2012.

Portanto, mantemos nossa previsão de inflação em 5,6%, perspectiva que representa uma modesta queda em comparação ao cenário de 2012, quando o indicador estava em 5,8%. Vale destacar que, se os preços do grupo de alimentos não seguirem nossas expectativas, isso poderia engatilhar uma revisão na posição da nossa política monetária, considerando que o Banco Central não tem muito espaço para manobrar um choque negativo.

Tem alguma dúvida? O que você achou? Escreva para nós!

Flash econômico – Inflação oficial acelera para 0,86% em janeiro

07 flasheconomico 02O IBGE divulgou agora a pouco o IPCA de janeiro de 0,86% mês ante mês. Este resultado ficou ligeiramente acima do consenso de mercado. No acumulado de doze meses, a inflação anual atingiu 6,15% (em comparação com os 5,84% em dezembro). As principais pressões de alta no IPCA mensal foram os preços de alimentos e despesas pessoais. O primeiro grupo mostrou alta de 1,99% em janeiro, ante 1,03% em dezembro, enquanto o segundo registrou avanço de 1,55%.

Em contrapartida, os custos de habitação diminuíram 0,20%, impulsionados pela queda na tarifa de energia dos consumidores. O núcleo da inflação permaneceu praticamente o mesmo em comparação com os valores elevados registrados no mês passado. Portanto, mantendo-se acima do limite superior da meta de inflação (6,5%).

Com relação ao esperado para fevereiro, uma inflação mais baixa (em torno de 0,45%), refletindo o impacto ainda maior da queda dos preços de energia e aumentos menores nos preços dos cigarros, ainda que haja o impacto causado por aumentos no preço do combustível e aumentos sazonais em educação. Para 2013, continuamos esperamos um aumento na inflação de 5,6%.

Pontos-chave

No resultado mensal, os preços dos alimentos aumentaram 1,99%, superior ao 1,03% registrado no IPCA de dezembro. Além disso, despesas pessoais subiram 1,55% mês ante mês (1,6% em dezembro), refletindo principalmente os aumentos nos preços dos cigarros.

A média das medidas de núcleo da inflação atingiu 0,67%, ligeiramente acima do valor de 0,66% registrada no IPCA de dezembro. Esta média em janeiro representou 8,3% em termos anualizados, portanto, acima do limite superior da meta de inflação de 6,5%. O índice de difusão (que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva) também aumentou para 75,1% (de 70,5% em Dezembro).

Por último, a inflação sobre serviços diminuiu ligeiramente para 8,6% nos últimos 12 meses, em comparação com o percentual registrado em dezembro, de 8,7%. Como esses preços estão relacionados com as condições do mercado de trabalho, não esperamos que a inflação sobre serviços diminua consideravelmente num futuro próximo.

Nível de emprego praticamente estável e salários diminuem

07 flasheconomico 02_corretoA taxa de desemprego atingiu o nível mais baixo da história neste mês de dezembro, ficando em 4,6%. Apesar disso, o número veio um pouco acima das expectativas do mercado.

Em uma base ajustada sazonalmente, a taxa de desemprego se manteve estável em 5,4%, mantendo-se próximo do mínimo histórico (5,3%). A pesquisa mostrou um nível de emprego praticamente estável em meio a novo aumento na força de trabalho

Os salários reais diminuíram na margem, mas continuaram aumentando acima da produtividade do trabalho, ano ante ano, apoiando a visão das condições apertadas de mercado de trabalho. Para os próximos meses, dada a nossa visão de que o crescimento do PIB provavelmente vai mostrar aceleração gradual, não esperamos deterioração das condições do mercado de trabalho.

Pontos-chave

De acordo com a nossa medida com ajuste sazonal, a taxa de desemprego permaneceu estável em 5,4% em dezembro e perto de seu nível mais baixo de 5,3% registrada em agosto do ano passado. O emprego ficou estável na margem, enquanto a força de trabalho cresceu 0,2% no mês, implicando em aumentos anuais de respectivamente 3,1% e 3,0% (de 2,8% e 2,5%).

Quanto aos rendimentos, os salários reais diminuíram 0,3% na margem, de acordo com a nossa medida com ajuste sazonal, enquanto o crescimento ano ante ano atingiu 3,2% em dezembro (5,3% em novembro). Dado que estimamos que a produtividade do trabalho aumente a uma taxa em torno de 1,5% ao ano, o aumento dos salários reais continua a sugerir uma pressão para cima na inflação nos próximos meses.

De acordo com nossos cálculos, a participação da força de trabalho alcançou seu mais alto nível em dezembro, em uma base ajustada sazonalmente (58%), mostrando uma tendência de queda da taxa de desemprego. Esta evidência suporta a perspectiva de escassez de oferta de trabalho, sugerindo novas pressões de alta sobre os salários.

A cerveja e a inflação

*Por Eduardo Forestieri

O título deste post poderia ser também “o sapato novo e a inflação”; ou “o material escolar e a inflação”; ou “o charuto e a inflação”. Porque este não é um texto que vai fazer qualquer análise comparativa sobre o impacto da cerveja na inflação divulgada pelo Governo.

Não. Este é um post sobre o quanto a sua inflação pessoal pode ser diferente daquela do mercado. Você sabia que a cerveja aumentou três vezes mais que a inflação? Isto significa que se você aprecia uma loura gelada após o expediente e nos finais de semana, provavelmente teve suas finanças pessoais e seu custo de vida muito mais afetado que o do seu vizinho que só consome vinho, ou do governo que tem parte das renovações das suas contas baseadas na inflação oficial.

A mesma comparação podemos fazer com charutos, um sapato novo ou o material escolar. Em outras palavras, a sua inflação pessoal é gerada pela alteração de preços daquilo que você consome no mês – seja produtos móveis, imóveis, duráveis ou não duráveis e ultimamente principalmente os serviços.

Por isso vale à pena tem em mente dois cálculos: quando o IBGE divulga a inflação, ele diz quais foram as categorias de produtos que mais subiram ou desceram (vestuário, alimento, etc.) e o percentual. Estas variações dos custos individuais de cada produto ou serviço que você consome (muitas vezes diferente da inflação geral) impactam mais diretamente no seu bolso.

É a partir destes percentuais separados, que você conseguirá calcular quanto seu investimento precisa render ou quanto você necessita aumentar seu rendimento para manter o padrão de vida, ou seja quanto você precisa ter de retorno líquido apenas para que você tenha mantido o poder de compra e assim consiga ao menos comprar/consumir as mesmas coisas no mês seguinte. O ideal é que você tenha um retorno líquido de imposto acima da sua inflação pessoal e assim consiga aumentar seu patrimônio e/ou aumentar seu padrão de consumo.

Tem outra conta mais fácil: diminuir seus gastos nas categorias que mais sobem os preços, no nosso exemplo a saída é parar de beber cerveja…ok não dá, não é? Então busque uma alternativa aumentando o objetivo na sua sobra de capital, faça esta conta no final do seu planejamento financeiro:

ganho – despesa = sobra de no mínimo 10% do ganho. Em números:

100-90=10 (10% do ganho)

Assim você mantém suas finanças sempre acima da inflação, independentemente dos números apresentados pela economia e ainda pode aumentar seu patrimônio ou seu padrão de consumo, sem deixar de fazer o que gosta. Vale o paralelo com finanças do conselho: beba (ou gaste) com moderação!

Eduardo Forestieri, CFP®, Superintendente de Produtos de Investimentos do Citi Wealth Management

Os especialistas do Citi estão à disposição para responder as perguntas de nossos leitores. É só deixar sua dúvida nos comentários do blog. Todos os especialistas do Citi que responderem as perguntas desta seção são certificados com o CFP – Certified Financial Planner, concedido pelo IBCPF – Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros

Tem início a temporada de eventos esportivos

* Por Leonardo Porto

A Copa das Confederações que ocorrerá este ano dará início à série de eventos esportivos que terá o Brasil como país anfitrião. Isto é, em 2014 haverá a Copa do Mundo de futebol em diversas capitais brasileiras enquanto a cidade do Rio Janeiro sediará os Jogos Olímpicos em 2016. A realização destes eventos em nosso país ratifica o relativo sucesso que nossa economia vem demonstrando ao longo das últimas décadas e do seu conseqüente ganho de importância no ambiente internacional. Mas quais seriam os impactos desses eventos para a economia brasileira?

Não há como menosprezar o volume significativo de investimentos para a realização desses eventos. Diante das inúmeras demandas relativas à construção/modernização de estádios, hotéis, estradas, aeroportos, ferrovias, portos, entre outros, tais investimentos deverão ter grande impacto no setor da construção civil.

Por conta disso, o crescimento do PIB da economia brasileira deverá se concentrar ainda mais sobre a demanda doméstica (consumo das famílias e governo + investimentos), ainda mais após considerarmos a provável manutenção do ambiente internacional instável nos próximos anos. Neste sentido, o mercado de trabalho tenderá a permanecer bastante aquecido, com elevações do nível de emprego e salários.

Uma questão relevante e nem sempre comentada refere-se ao financiamento desses investimentos. Sabe-se que grande parte destes investimentos será conduzido pelo setor público o que nos leva a antever que um dos efeitos colaterais será alguma elevação da dívida pública. Felizmente não enfrentamos o problema de intolerância à dívida que acomete alguns países europeus, porém é preciso conscientizar que há limites para tal estratégia. Neste sentido, as concessões de alguns aeroportos bem como outras estratégias de compartilhamento de riscos com o setor privado (PPPs) parecem ser alternativas bem vindas para a minimização dos impactos sobre as contas públicas.

Também é importante ter em mente que tais investimentos terão vida útil superior à dos eventos esportivos. Em função disso, adotar estratégias que permitam uma taxa de retorno desses investimentos suficientemente satisfatória após 2016 é outro elemento que permitirá minimizar os impactos sobre as contas públicas ao longo dos próximos anos. Além disto, potenciais parcerias com o setor privado parecem vir, mais uma vez, ao encontro desta preocupação. Dito isso, adotar marcos regulatórios estáveis nas concessões de alguns desses investimentos parece ser algum dos pré-requisitos essenciais para incentivar o setor privado a torna-se um parceiro importante do setor público nesta empreitada histórica.

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

Novas evidências de um cenário desfavorável de inflação

07 flasheconomico 02_corretoA inflação medida pelo IPCA-15 em janeiro fechou em 0,88%, acima do consenso de mercado. Com este número, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 6,02% (de 5,84% em dezembro). As principais pressões de alta foram dos preços de alimentos e despesas pessoais. O núcleo da inflação aumentou ainda mais, em comparação com os valores já elevados registrados no mês passado, afastando-se do limite superior da meta de inflação. Para o final deste mês, esperamos que a inflação medida pelo IPCA mantenha-se praticamente estável em relação a este panorama preliminar. Para os períodos futuros, esperamos que o IPCA aumente 5,6% em 2013, beneficiado pela queda significativa dos preços da energia prevista para ocorrer em fevereiro.

Pontos-chave

No resultado mensal, os preços dos alimentos aumentaram 1,45% (superior ao de 1,03% registrado no IPCA de dezembro). Além disso, despesas pessoais subiram 1,80% (também maior do que os 1,60% registrados em dezembro), refletindo principalmente o aumento nos preços dos cigarros.

A média das medidas de núcleo de inflação atingiu 0,73% (superior ao 0,66% registrado no IPCA de dezembro). Esta média representa 9,2% em termos anualizados, portanto, acima do limite superior (6,5%) da meta de inflação. O índice de difusão também aumentou para 73,5% (de 70,5% em dezembro).

Por último, a inflação de serviços diminuiu ligeiramente para 8,5% nos últimos 12 meses em comparação com o registrado em dezembro (8,7%). Como esses preços estão relacionados com as condições do mercado de trabalho, não esperamos que a inflação de serviços diminua significativamente no futuro próximo.