Tem início a temporada de eventos esportivos

* Por Leonardo Porto

A Copa das Confederações que ocorrerá este ano dará início à série de eventos esportivos que terá o Brasil como país anfitrião. Isto é, em 2014 haverá a Copa do Mundo de futebol em diversas capitais brasileiras enquanto a cidade do Rio Janeiro sediará os Jogos Olímpicos em 2016. A realização destes eventos em nosso país ratifica o relativo sucesso que nossa economia vem demonstrando ao longo das últimas décadas e do seu conseqüente ganho de importância no ambiente internacional. Mas quais seriam os impactos desses eventos para a economia brasileira?

Não há como menosprezar o volume significativo de investimentos para a realização desses eventos. Diante das inúmeras demandas relativas à construção/modernização de estádios, hotéis, estradas, aeroportos, ferrovias, portos, entre outros, tais investimentos deverão ter grande impacto no setor da construção civil.

Por conta disso, o crescimento do PIB da economia brasileira deverá se concentrar ainda mais sobre a demanda doméstica (consumo das famílias e governo + investimentos), ainda mais após considerarmos a provável manutenção do ambiente internacional instável nos próximos anos. Neste sentido, o mercado de trabalho tenderá a permanecer bastante aquecido, com elevações do nível de emprego e salários.

Uma questão relevante e nem sempre comentada refere-se ao financiamento desses investimentos. Sabe-se que grande parte destes investimentos será conduzido pelo setor público o que nos leva a antever que um dos efeitos colaterais será alguma elevação da dívida pública. Felizmente não enfrentamos o problema de intolerância à dívida que acomete alguns países europeus, porém é preciso conscientizar que há limites para tal estratégia. Neste sentido, as concessões de alguns aeroportos bem como outras estratégias de compartilhamento de riscos com o setor privado (PPPs) parecem ser alternativas bem vindas para a minimização dos impactos sobre as contas públicas.

Também é importante ter em mente que tais investimentos terão vida útil superior à dos eventos esportivos. Em função disso, adotar estratégias que permitam uma taxa de retorno desses investimentos suficientemente satisfatória após 2016 é outro elemento que permitirá minimizar os impactos sobre as contas públicas ao longo dos próximos anos. Além disto, potenciais parcerias com o setor privado parecem vir, mais uma vez, ao encontro desta preocupação. Dito isso, adotar marcos regulatórios estáveis nas concessões de alguns desses investimentos parece ser algum dos pré-requisitos essenciais para incentivar o setor privado a torna-se um parceiro importante do setor público nesta empreitada histórica.

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

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