Desempenho da economia ficou abaixo do esperado em 2012

* Por Leonardo Porto

A performance da economia brasileira em 2012 decepcionou. Considerando os dados recentemente divulgados, referentes ao terceiro trimestre do ano, o PIB deverá apresentar crescimento inferior a 1,0%. Tal desempenho se configuraria como o pior resultado anual desde a contração de 0,3% verificada em 2009 que, naquela ocasião, refletiu a maior parte dos efeitos da crise internacional. O pior desempenho da economia já vem contaminando as projeções para 2013, em especial devido à perspectiva de que a sua recuperação tende a ocorrer de forma mais lenta do que se imaginava. Em resumo, prevemos crescimento do PIB de 0,9% em 2012 e de 3,4% em 2013.

Em um cenário de baixo crescimento como este torna-se difícil vislumbrar um ciclo de elevação das taxas de juros. Na verdade, devido ao fato de acreditarmos que o PIB do quarto trimestre de 2012 deverá continuar decepcionando, prevemos queda da Selic para 6,5% (dos atuais 7,25%) ao longo do primeiro semestre de 2013.

Neste ponto cabe perguntar quais seriam os principais fatores que estão restringindo a recuperação da economia, mesmo diante dos significativos estímulos monetários (queda da Selic desde 12,50%). Para nós, fatores externos como a contração de economias maduras, assim como causas domésticas, como o elevado nível da taxa de inadimplência dos empréstimos e o papel menos ativo do BNDES em prover crédito às empresas, seriam algumas das possíveis explicações para o aparente paradoxo do baixo crescimento do PIB.

Olhando para horizontes de médio e longo prazos, o cenário de baixo crescimento (ou mesmo contração) de importantes economias desenvolvidas sugere que a expansão do PIB do Brasil será baseada na demanda doméstica, em especial na dinâmica do consumo das famílias. Neste ponto, cabe destacar o fato de que a manutenção de um mercado de trabalho aquecido terá papel fundamental em sustentar taxas de crescimento robustas do consumo privado. Além disso, eventuais reduções da taxa de inadimplência dos empréstimos tende a reduzir o risco de crédito dos bancos, produzindo impulso adicional para a expansão do crédito e, consequentemente, do consumo das famílias.

Em um cenário como este deve-se atentar para o risco inflacionário, agravado pelo fato de que o ponto de partida é um nível de inflação em torno de 5,6% em 2012, ou seja, já acima do centro da meta de 4,5%. Em outras palavras, se realmente a economia brasileira estiver caminhando para uma trajetória de aceleração do crescimento (ainda que gradual) e mercado de trabalho bastante aquecido, a tendência é de aceleração da inflação. Traduzindo em números, prevemos que a inflação medida pelo IPCA atinja 5,2% em 2013, abaixo dos 5,6% previstos para o ano, exclusivamente devido ao impacto da provável queda dos preços da energia elétrica, conforme promessa da nossa Presidenta.

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

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