Mas como planejar e poupar se não me sobra nada?

*Por Eduardo Forestieri

Tenho falado a cada nova conversa sobre a importância de planejar e poupar. “Mas como iniciar uma poupança se o orçamento estancou e não me sobra nada”, é a pergunta de muitas pessoas. Vamos conversar sobre isso então.

Se o momento é de falta de recursos, por perder, por exemplo, a fonte principal de renda, a primeira medida é reduzir as despesas e procurar ajustar as contas para o montante que esteja disponível. Feitos os ajustes, certamente haverá o momento em que a entrada de dinheiro voltará a ser maior.

Ou vamos supor que, seja por um aumento, em função de negócios bem realizados ou promoção, sua fonte de renda principal aumente.

Estes dois casos são o justo momento para se começar a poupar. E a primeira medida a ser tomada é mudar a sua forma de pensar. Por que? Bem, em 2008 a Latin Panel, uma empresa que estuda o comportamento do consumidor brasileiro, realizou 9 000 entrevistas em 16 grandes cidades da América Latina e descobriu que no Brasil, 74% das pessoas não guardam nem um centavo de sua renda. Apenas 26% dos brasileiros entrevistados tinham o hábito de poupar e desses só a metade consegue guardar até 10% do salário que recebe.

E a tendência continua. Pesquisa de 2011, feita pela consultoria GfK CR Brasil, mostrou que 39% dos entrevistados não têm o hábito de poupar e investir. Foram ouvidas mil pessoas de todas as classes sociais em 12 regiões metropolitanas do Brasil, no fim de 2010.

A primeira coisa que se pensa, já antecipando um aumento na renda é: em que eu poderei gastar esse “a mais”? Quando o ideal seria: “se minhas contas estão pagas, como eu posso planejar esta renda a mais para me beneficiar dela da melhor maneira possível?”

Para o latino-americano em geral a percepção de poupar está relacionada com avareza e por isso é quase um tabu falar de “dinheiro”ou de renda, com o gerente da sua conta ou um planejador financeiro. Até por vivermos há pouco tempo a estabilidade econômica, falta ao brasileiro a educação financeira que começa a ser ensinada em algumas escolas. Entretanto, a maioria da população viveu longos períodos de inflação alta, confisco de contas poupança e desemprego. Talvez daí venha a cultura do consumo imediato.

Diz-se que o brasileiro está sempre endividado, segundo a Fecomercio/SP 62,5% do brasileiros estão endividados mas esta é uma realidade que vem mudando. A classe média está aumentando, mais pessoas estão comprando, num sinal de que há dinheiro. Ele só não está sendo poupado. Poupar não significa abrir mão de todos os prazeres da vida e deixar de fazer tudo aquilo de que se gosta. O importante é saber equalizar o orçamento e evitar gastos desnecessários, para que, planejando, seja possível guardar uma parte da renda com objetivos futuros. Isso também é qualidade de vida, concorda?

Eduardo Forestieri, CFP®, Superintendente de Produtos de Investimentos do Citi Wealth Management

Os especialistas do Citi estão à disposição para responder as perguntas de nossos leitores. É só deixar sua dúvida nos comentários do blog. Todos os especialistas do Citi que responderem as perguntas desta seção são certificados com o CFP – Certified Financial Planner, concedido pelo IBCPF – Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros

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