O Balanço de Pagamentos tem relação direta com os movimentos da taxa de câmbio

* Por Leonardo Porto

Paramos nossa conversa da semana passada com a explicação do que é o Balanço de Pagamentos e na sua respectiva divisão entre seus principais componentes. Explicamos um deles, a Balança de Transações Correntes.

Mas o que seria a Conta de Capitais Financeiros? Pode-se dizer que nesta rubrica são contabilizadas todas as transações financeiras da economia brasileira com o exterior. Como exemplo, pode-se citar o pagamento ou amortização de uma dívida externa por parte do governo ou por uma empresa privada. Aplicações de estrangeiros em ações brasileiras ou em títulos de renda fixa também são computadas nesta conta. O mesmo pode-se dizer sobre aplicações de brasileiros em ativos estrangeiros bem como os tão famosos Investimentos Estrangeiros Diretos que são, a princípio, capitais internacionais aplicados diretamente nas empresas domiciliadas em nosso país. Por fim, os haveres no exterior, em geral denominado reservas internacionais, são contabilizados formalmente na conta de capitais compensatórios.

Entendida a composição do Balanço de Pagamentos, pode-se associar seus movimentos com as alterações da taxa de câmbio. Partindo da simples definição de que a taxa de câmbio é o preço da moeda brasileira (real) em relação à moeda estrangeira (tendo como referencial o dólar), pode-se dizer que, como qualquer outro preço, a taxa varia de acordo com as condições de oferta e demanda.

Neste sentido, se a balança de transações correntes apresentar déficit que não tenha como contrapartida a entrada recursos financeiros (via conta de capital) no mesmo montante, tal situação levará a um excesso de demanda por moeda estrangeira relativamente à moeda nacional, devido a necessidade de dólares adicionais para cumprir os compromissos externos.

Tal situação caracterizaria como uma demanda líquida de moeda estrangeira relativamente ao real, levando à uma depreciação (elevação) da taxa de câmbio. Tal depreciação ocorreria até o ponto onde o excesso de demanda fosse eliminado. Ou seja, até o ponto onde o fluxo superavitário da conta de capitais se igualasse ao fluxo deficitário da conta de transações correntes. Tal exemplo hipotético ajuda a entender a identidade fundamental do balanço de pagamentos que diz que o saldo do balanço de pagamentos deve se igualar a variação das reservas internacionais sendo as variações da taxa de câmbio a garantia para que tal identidade se verifique.

Complicado? Um pouco, mas talvez podemos resumir toda esta discussão dizendo que como o balanço de pagamentos computa todas as demandas/ofertas sobre a moeda estrangeira ele tem papel crucial na determinação da taxa de câmbio de qualquer economia.

 

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

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