O Brasil convive com escassez de trabalhadores qualificados

* Por Leonardo Porto

Na semana passada, explicamos o que é a taxa de desemprego e quais os fatores que condicionam os seus movimentos. Mas o que podemos esperar do mercado de trabalho nos próximos anos.

A taxa de desemprego no Brasil está atualmente em seu patamar mais baixo em termos históricos. Tal situação é completamente oposta àquela vivida por diversos países desenvolvidos que enfrentam atualmente o maior nível de desocupação da história. Apenas para citar dois exemplos, a taxa de desemprego na Espanha e Grécia já supera os 20% da população economicamente ativa com a desocupação entre os jovens atingindo 50%.  Mesmo diante de um nível de desocupação historicamente baixo, a perspectiva favorável para a economia brasileria sugere que a taxa de desemprego em nosso país tende a buscar patamares ainda menores nos próximos meses. Tal perspectiva favorável reside nos inúmeros incentivos existentes atualmente na economia que apontam para aceleração do crescimento nos próximos meses. Isto é, além da queda da taxa de juros Selic e dos recentes pacotes fiscais anunciados pelo governo, há indicações de políticas que deverão acelerar o mercado de crédito, especialmente através do BNDES. Dessa forma, maior crescimento econômico significa uma necessidade de um maior contingente de trabalhadores para apoiar o maior nível de produção.

Entretanto, o Brasil sofre de um grave problema: a falta de qualificação do trabalhador. A ausência de uma capacitação especializada explica dois fenômenos: a alta disparidade salarial existente entre os trabalhadores qualificados e não qualificados e a existência de funções de baixa qualificação em nosso páis, que se tornaram raras nos países desenvolvidos, como, por exemplo, a empregada doméstica.

É fundamental que alteremos este quadro brasileiro. Desde os anos 90, há uma substancial elevação no número de alunos matriculados nas escolas o que apoia a visão de que tem havido avanços em nosso país no tocante à elevação da qualificação de nossas crianças. Entretanto, testes aplicados por instituições internacionais mostram que nossas crianças apresentam desempenho escolar bem inferior ao de outros países emergentes sugerindo que os acima mencionados avanços quantitativos (em termos de alunos matriculados) não foram acompanhados por melhora na qualidade do ensino das escolas brasileiras. Em suma, avanços quantitativos e qualitativos da educação brasileira nos próximos anos se tornará ainda mais primordial para que os prováveis benefícios econômicos sejam distribuídos de forma mais equânime a todos os brasileiros.

 

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

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