A taxa de desemprego depende de quem efetivamente procura uma colocação

* Por Leonardo Porto
Uma das melhores notícias da economia brasileira atualmente é a de que a taxa de desemprego no Brasil nunca esteve tão baixa. Isto é, em fevereiro, a taxa de desemprego atingiu 5,7%, o que após a exclusão dos efeitos sazonais típicos do início do ano, significou o menor nível de desemprego de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), iniciada em março de 2002. Ainda segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em fevereiro, a população desocupada /desempregada somou 1,4 milhão de pessoas. Quando comparada a fevereiro do ano passado, houve redução da desocupação em 8,6%, o que representa 130 mil pessoas a menos em busca de emprego.

Mas o que é a taxa de desemprego e como ela é calculada? Segundo a metodologia adotada, considera-se desempregada apenas as pessoas que estão sem trabalho, mas que estejam procurando emprego. Este último detalhe é relevante porque quem não está buscando uma colocação no mercado – por exemplo uma dona de casa, ou alguém que esteja em período “sabático” – é excluído do número total de desempregados. No momento em que estes indivíduos decidirem procurar emprego, passam a ser considerados desempregados/desocupados.

A taxa de desemprego, portanto, é a razão entre o número de desempregados dividido por toda a população economicamente ativa (PEA) no país. Neste caso, define-se a PEA como o conjunto de pessoas em idade para trabalhar, mas que estejam trabalhando ou procurando emprego. Todas estas estatísticas são coletadas pelo IBGE mediante pesquisa mensal amostral domiciliar.

Diante do discutido anteriormente vale ressaltar um efeito que interfere de forma significativa na taxa de desemprego, o chamado efeito alento e desalento. Normalmente, quando o mercado de trabalho está se enfraquecendo, os desempregados podem deixar de procurar uma colocação no mercado de trabalho dada a baixa probabilidade de encontrá-la. Caso isso ocorra, a taxa de desemprego cairia sem que ocorresse criação de emprego. Ou seja, neste cenário hipotético, a queda da taxa de desemprego é explicada não pela melhora do mercado de trabalho mas sim pela falta de perspectiva de melhora deste. Sendo assim, sempre que analisarmos a taxa de desemprego é importante avaliar se seu eventual declínio deve-se ao aquecimento do mercado de trabalho (através da criação de emprego) ou se é devido à piora na perspectiva de obtenção de emprego (declínio da PEA). Para o caso atual da economia brasileria, o nível atual historicamente mínimo da taxa de desemprego é, sem dúvida, resultado de um mercado de trabalho pujante.

Na próxima semana, vamos fazer uma análise da taxa de desemprego no Brasil e as perspectivas para o futuro próximo.

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

Anúncios

One Response to A taxa de desemprego depende de quem efetivamente procura uma colocação

  1. Pingback: O Brasil convive com escassez de trabalhadores qualificados « CitiBrasil

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: