Crescimento econômico e seu reflexo na sociedade

* Por Leonardo Porto

Por que todos defendem a busca de um elevado crescimento econômico em uma sociedade? A resposta imediata à esta pergunta está na percepção de que quanto maior o crescimento econômico maior tende a ser o ganho de bem estar de uma sociedade. Neste sentido, apesar de existirem outras medidas que tentam captar a evolução do bem estar de uma sociedade, o crescimento do PIB ainda é a forma mais simples e comumente divulgada para explicar o sucesso ou fracasso de um determinado país. Em outras palavras, mesmo considerando que o coeficiente de Gini seria uma melhor medida para averiguar a desigualdade social de um país, ou o IDH seja um índice construído para avaliar de forma mais abrangente o desenvolvimento humano de uma sociedade, o crescimento do PIB continua sendo a medida mais utilizada nas análises econômicas de todo mundo.

No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB), medido trimestralmente pelo IBGE, é, a grosso modo, a soma do valor (adicionado) de toda a produção nos diversos setores da nossa economia. O seu crescimento significa que o total da produção está aumentando e, consequentemente, ampliando a renda total da sociedade. Neste ponto cabe distinguir o conceito de PIB e PIB per capita, sendo este último entendido como o PIB dividido pela população. Dessa forma, quando dissemos que nossa previsão de crescimento do PIB em 2012 é de 3,3%, significa que esta é a nossa previsão de elevação da produção este ano, comparada àquela verificada em 2011. Se levarmos em conta que a população brasileira cresce à taxa próxima de 1% ao ano, isto significa que o PIB per capita do Brasil tende a se elevar ao ritmo de 2,3% em 2012.

Ocorre que o crescimento do PIB sofre influências cíclicas significativas, o que leva os analistas a darem importância relevante à tendência de médio e longo prazo do PIB. Destaca-se o que é comumente chamado de crescimento do PIB potencial: aquela taxa de expansão da produção que é compatível com a evolução dos principais fatores de produção – a mão-de-obra, as máquinas ou equipamentos e a produtividade associada a elas. Pelo fato de o PIB potencial ser um conceito apenas teórico (não observável) há inúmeras formas de tentar mensurá-lo gerando estimativas, muitas vezes, completamente diferentes. Segundo nossos cálculos, o PIB potencial da economia brasileira cresce a uma taxa entre 4% a 4,5% ao ano, significando que expansões acima deste patamar tendem a gerar pressões inflacionárias crescentes (enquanto expansões abaixo deste patamar tendem a reduzir a inflação).

Mas quais fatores explicam a taxa de crescimento do PIB potencial e o que pode ser feito para impulsioná-la? Focando nos fatores de produção que a determinam, o crescimento da mão-de-obra está intimamente ligado à questões demográficas. Já a expansão das máquinas/equipamentos depende do volume de investimentos das empresas bem como da necessidade de reposição do estoque antigo (taxa de depreciação). Por fim, a produtividade dos fatores depende do avanço da tecnologia (especialmente das máquinas), da melhora do nível educacional da sociedade (que afeta a produtividade da mão-de-obra), mas também do avanço das instituições político-econômicas de uma sociedade que, entre outras coisas, incentivam a maior/menor tomada de risco por parte das empresas.

Considerando que nas últimas duas décadas a economia brasileira evoluiu significativamente no tocante ao número de crianças matriculadas nas escolas, pode-se dizer que tem havido certo avanço da escolaridade em nosso país, ainda que se possa discutir a qualidade deste ensino. Com relação às instituições, o ambiente político está mais estável, e enxergamos a aparente melhora em certas instituições (Banco Central, Judiciário, agências reguladoras, etc) quando comparadas aos anos 80. Disso sugere-se que o crescimento do PIB potencial deve ter aumentado ao longo deste período, mesmo após ponderado o menor crescimento da população em relação ao que se verificava no passado.

 

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

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