O Copom e a política monetária

* Por Leonardo Porto

Ontem aconteceu uma nova reunião do Copom – o Comitê de Política Monetária – e a taxa Selic foi reduzida em 75 pontos, levando-a para 9,75%. A decisão surpreendeu quase todos os analistas de mercado, que esperavam corte de 50 pontos, ainda que nos últimos dias a curva de juros futura chegou a embutir probabilidade elevada de um corte daquela magnitude.

Mas o que é o Copom e qual a sua função? Formado atualmente por sete membros, entre diretores e o presidente do Banco Central, o Copom se reúne a cada seis semanas, com o intuito de promover eventuais ajustes na política monetária a fim de cumprir as metas de inflação estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Atualmente, o Copom tem como objetivo principal manter a inflação em torno do centro da meta de 4,5% ao ano (medida pelo IPCA) com possibilidade de desvios de 2% para cima ou para baixo. Caso a inflação, medida pelo IPCA, encerre o ano no intervalo entre 2,5% a 6,5%, o Copom terá cumprido seu mandato. Na hipótese de a inflação exceder tal intervalo, cabe ao Presidente do Banco Central divulgar, em Carta Aberta ao Ministro da Fazenda, os motivos do não cumprimento da meta, assim como as ações e prazo para o retorno ao intervalo de inflação pré-estabelecido.

Mas quais são as variáveis que condicionam as decisões do Copom? Uma vez estabelecido que o Copom objetiva manter a inflação dentro da meta, as variáveis que determinam a inflação são normalmente as mesmas que motivam eventuais ajustes da política monetária. Neste sentido, quedas da taxa de câmbio e/ou dos preços internacionais das commodites estão normalmente associados a menores níveis de inflação e, consequentemente, a quedas da taxa Selic. Além disso, dada sua característica inercial, níveis de inflação elevados em um passado recente normalmente estão associados a maiores patamares da taxa Selic, assim como crescimento econômico além das potencialidades. A depender da resultante final de todas essas variáveis sobre a dinâmica inflacionária, o Copom decide se há a necessidade de alguma alteração na política monetária, tendo a taxa Selic seu instrumento usual de ajuste.

Finalmente, vale comentar que o Copom sempre publica a ata da reunião na semana imediatamente posterior ao encontro, com as principais discussões que motivaram a decisão e eventuais indicações que os seus diversos membros gostariam de sinalizar para os agentes de mercado.

 

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

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