Você sabe o que é inflação?

* Por Leonardo Porto

Claro que você sabe: inflação é o aumento de preços. Afinal, você sente isso no bolso sempre que deseja adquirir um bem ou serviço e ele ficou mais caro. Agora, se a gente quiser complicar um pouquinho, existem vários preços na economia: o preço ao consumidor, o preço ao atacado, o preço de determinados setores, tais como construção civil etc. E assim como os vários preços, existem os mais diversos índices de inflação.

Um dos índices mais importantes, e o que serve de referência para o regime de metas de inflação, é o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medido pelo IBGE. Em resumo, o IPCA capta os preços de uma cesta com mais de 400 bens e serviços que nós, como consumidores, usamos no nosso dia a dia, como o preço da geladeira, do automóvel, empregada doméstica, escola, cabeleireiro, alimentos, aluguel, entre muitos outros.

Em relação ao regime de metas de inflação, o Banco Central tem o objetivo explícito de manter a inflação anual (medida pelo IPCA) entre 2,5% e 6,5%, com o ponto central em 4,5%. Em 2011, a inflação ficou exatamente no limite superior desta banda, isto é, em exatos 6,5%, significando que o Banco Central cumpriu por mais um ano seu objetivo.

Um comentário comum que se houve frequentemente é: “essa inflação de 6,5% é para inglês ver, porque eu pago muito mais do que isso”. De fato, se seus gastos ao longo do ano foram concentrados no pagamento de empregada doméstica e mensalidade escolar, sua “inflação pessoal” foi maior do que os 6,5% captados no IPCA, pois esses foram itens da cesta do índice que subiram acima da média. Por outro lado, se seus gastos foram quase que inteiramente concentrados na compra de um carro zero, pode-se dizer que sua inflação no ano foi significativamente menor, dado que este bem caiu de preço (em termos nominais) ao longo de 2011.

Desta forma, é correto dizer que cada indivíduo tem sua própria inflação, uma vez que esta depende da sua cesta de consumo particular. Independentemente disso, os índices de preços de modo geral, em especial o IPCA, norteiam as decisões econômicas do governo e do Banco Central. Mas isso já é assunto para um próximo post.

 

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

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