Inflação deve seguir em queda no curto prazo

A inflação deve continuar caindo nos primeiros meses de 2012. A inflação medida pelo IPCA vem caindo desde o pico de 7,3%, em setembro de 2011, e fechou o ano em 6,5%. Esse resultado é explicado, em grande parte, pela queda no preço das commodities no mercado internacional.

Os preços dos produtos comercializáveis subiram 4,4% em 2011 (após a alta de 6,8% em 2010), enquanto os preços dos não comercializáveis aceleraram para 8,6% e os preços administrados para 6,2%. Em geral, como resultado da desaceleração global, deve haver um efeito favorável dos preços comercializáveis sobre o IPCA no curto prazo, puxando a inflação mais para baixo.

Nossa estimativa é de que a inflação medida pelo IPCA atinja 5,3% em abril, representando o nível mais baixo deste ano e também nossa previsão para o final de 2012. Até abril, nossas estimativas estão ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, de acordo com a pesquisa Focus.

Além da tendência de queda nos preços das commodities, a inflação deve se beneficiar também da atual desaceleração interna e dos aumentos menores nos preços administrados. A queda no crescimento do PIB a partir do 3º trimestre de 2011 (que teve crescimento zero) também deve gerar pressão de baixa sobre a inflação do 1º semestre de 2012.

Enquanto isso, o comportamento dos preços administrados deve melhorar como consequência da inflação medida pelo IGP-M, que caiu de 11,3% em 2010 para 5,1% em 2011, uma vez que este índice é usado para indexar diversos tipos de contratos. Além disso, por ser um ano de eleições municipais, o transporte público não deve repetir os fortes aumentos que teve no início de 2011.

Para o mês de janeiro, esperamos uma inflação de 0,53%, abaixo do consenso do mercado (que é de 0,58%). Na nossa opinião, o principal risco de alta no curto prazo vem dos preços dos alimentos, relacionados com as piores condições climáticas comuns durante este período do ano.

Fatores domésticos devem impedir a convergência da inflação para o centro da meta (4,5%). Dentre eles, destacam-se o forte aumento do salário mínimo neste mês (14%) e a esperada recuperação da atividade doméstica ao longo de 2012, como consequência dos recentes estímulos econômicos (monetário, fiscal e de crédito). O salário mínimo tem uma importante influência sobre os preços dos serviços. Seu aumento deve compensar parte da recente desaceleração doméstica e contribuir para manter a inflação dos preços de serviços relativamente alta, depois de ter atingido níveis de 9,0% ao longo de 2011.

A dinâmica da inflação favorece a flexibilização da política monetária em 2012. Por isso, mantemos a nossa expectativa de mais três cortes de 50 pontos na taxa Selic nas próximas reuniões do Copom, até que a mesma atinja 9,5% em abril. Durante esse período, o processo de desinflação, juntamente com os indicadores de atividade ainda fracos e em meio à manutenção da austeridade fiscal, deve contribuir para manter o Banco Central confortável na redução da taxa Selic.

No entanto, o afroxamento da política monetária poderá levar a riscos ascendentes para a inflação a médio prazo. Dessa forma, acreditamos que o Banco Central irá apertar a política monetária em 2013, a fim de garantir a convergência da inflação para a meta.

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