Melhora no cenário para a inflação

O IPCA de novembro foi de 0,52%, superando o mês de outubro, que foi de 0,43%. O índice reflete o aumento sazonal nos alimentos (1,1%) e os preços dos serviços (0,59%). Os núcleos da inflação continuam oscilando em torno de 0,5% na taxa mensal, ou 6,4% em termos anualizados, um nível ainda muito acima do ponto médio da meta, que é de 4,5%.

Os preços dos serviços atingiram um novo recorde de alta – 9,1% nos últimos 12 meses –, mas a inflação acumulada está declinando: foi 7,3% em setembro, 7,0% em outubro e 6,6% em novembro. Analisando este cenário, nossa previsão aponta para o cumprimento da meta de inflação em 2011. Para isso, o resultado de dezembro deverá ficar abaixo de 0,5%.

Baseados em nossas pesquisas, acreditamos que os preços dos alimentos devem desacelerar. Além disso, o corte de impostos para alguns setores, como massas e linha branca (geladeira, fogão, máquina de lavar, entre outros), anunciado na semana passada, deve exercer uma pressão de baixa de 10pb dividida entre dezembro e janeiro. Se nossa previsão se mostrar correta, a inflação mensal em dezembro cairá para 0,47% e a taxa anual seria de 6,47%, muito próxima do topo da banda da meta (6,5%).

Para 2012, o cenário melhorou recentemente, devido ao abrandamento econômico e à nova estrutura de ponderação. Nossa previsão de inflação para o final do ano caiu para 5,3%. Essa redução foi motivada pela atividade doméstica mais fraca, pior cenário global e as estruturas de ponderação divulgadas pelo IBGE com base na nova POF (Pesquisa de Orçamento Familiar). Nossa previsão ainda está acima do ponto médio da meta (4,5%), devido à permanência de pressões de alta nos preços dos serviços, em função do mercado de trabalho apertado e um forte aumento do salário mínimo (cerca de 14%) previsto para 2012. As expectativas do mercado estão ainda relativamente altas, em 5,49%, de acordo com a pesquisa Focus do BC, mas em queda devido ao efeito da POF.

O Banco Central também reduziu suas previsões para 2012 nos cenários de referência e de mercado. De acordo com a ata do Copom, as previsões já convergiram para a meta. Acreditamos que o declínio na estimativa do Banco Central para os preços monitorados de 4,5% para 4,0% em 2012 e a incorporação da nova POF são as principais razões por trás dessa convergência. A previsão do Banco Central para os preços monitorados está próxima à nossa, fixada em 4,2%, com chance de revisão para baixo.

Esse cenário reforça ainda nossa visão de que a taxa Selic irá sofrer mais três cortes de 50pb, chegando a 9,5% em abril. O Copom reafirmou que a atual desaceleração doméstica tem sido reforçada pelo ambiente global complexo, sinalizando que está gradualmente se tornando mais confiante com o ciclo de afrouxamento monetário atual.

O Banco Central mostrou-se mais confortável em relação à atividade econômica ao enfatizar, pela primeira vez, que o descompasso entre demanda e oferta refere-se a apenas “alguns segmentos específicos”.

Em relação à inflação, o Copom afirmou que a provável redução da inflação acumulada em 12 meses nos próximos meses deve contribuir para uma queda das expectativas de inflação no mercado, reforçada pela tendência atual de declínio das previsões de crescimento do PIB.

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