Análise da recente crise no mercado acionário

Os mercados acionários pelo mundo mostraram forte queda na última semana por conta do aumento da aversão ao risco. No centro das atenções dos investidores estiveram países da Zona do Euro e os Estados Unidos.

No velho continente, tivemos um novo foco de preocupação com Itália e Espanha, onde as taxas de juros dos títulos dos governos atingiram novos recordes. A expressiva baixa nos mercados refletiu o receio dos investidores quanto a um potencial calote nas dívidas soberanas daqueles países, fato que poderia gerar uma crise sistêmica ao provocar a quebra de bancos. O receio de contágio da desconfiança quanto à capacidade de pagamento de outros países da Zona do Euro, que também se encontram em debilitada situação fiscal, contribuiu para a escalada da aversão ao risco. Vale notar, porém, que ainda não foi observada uma efetiva piora na economia real, visto que Itália e Espanha conseguiram rolar dívidas na semana passada, ainda que a um custo mais alto.

Além da questão das dívidas dos países europeus, a divulgação de números abaixo do esperado sobre a economia dos Estados Unidos sinalizou que a maior economia do planeta pode entrar novamente em um processo recessivo ou, no melhor cenário, apresentar um crescimento mais baixo por um período prolongado. Este risco ficou ainda mais evidenciado após a aprovação do limite do teto do endividamento, visto que agora há um compromisso de redução nos gastos do governo, fato que deve prejudicar o ainda fragilizado mercado de trabalho daquele país. Vale destacar ainda que o consumo das famílias responde por quase 70% do PIB dos Estados Unidos.

A combinação de redução da expectativa de crescimento da economia norte-americana e o temor associado à crise na Zona do Euro teve como resultado uma escalada na aversão ao risco nos mercados ao redor do mundo e, consequentemente, redução à exposição em ativos de risco. O temor de um aprofundamento da crise, porém, levou os investidores a precificar um cenário bastante conservador, de queda em torno de 5 a 10% nos lucros das empresas em 2012. Embora os rumos da economia global sejam incertos, ainda não há o consenso de que haverá um novo mergulho na recessão.

Por Cesar Crivelli, CNPI-P, Citi Corretora

Confira também a análise de Fernando Siqueira, economista da Citi Corretora, no vídeo abaixo:

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