Uma visão geral sobre os mercados

Esperamos um forte crescimento global neste ano e no próximo, com aumento de 3,5% a 4% no PIB a cada ano, bem acima da média de longo prazo, que é de menos de 3%. Nos Estados Unidos, o PIB deverá obter 3% de crescimento no segundo trimestre, impulsionado por um crescimento sólido no mercado de trabalho, fortes investimentos empresariais e menores custos de energia. A desaceleração na China provavelmente será moderada e o segundo trimestre deverá ser o mais fraco em termos de crescimento do PIB. O crescimento da economia permanece desigual, e muitos países não terão um bom desempenho, tanto neste ano quanto em 2012.

O Banco Central Europeu deverá sinalizar, na sua reunião de junho, um novo aumento de 25pb na taxa de juros, que provavelmente acontecerá em julho. Além desse, esperamos outro aumento de 25pb até o final do ano, levando a taxa européia para 2,5% em 2012. O Fed deverá manter as taxas norte-americanas estáveis neste ano — desde que a economia melhore conforme o esperado e que as condições financeiras continuem favoráveis. Ao longo do tempo, o Fed deverá normalizar as taxas com aumento de 300pb a 400pb.

É improvável que a crise de crédito soberano da Europa desapareça rapidamente. Acreditamos que a possibilidade de reestruturação da dívida é elevada na Grécia, Irlanda e Portugal. Para a Espanha, o risco de derrapagem no lado fiscal é maior do que o precificado pelos mercados.

Nos Estados Unidos, a retórica do dólar forte contrasta com a realidade do dólar fraco. O rendimento dos títulos do Tesouro continua baixo e a reputação das autoridades monetária e fiscal está sendo corroída. No entanto, há poucas perspectivas de mudança em qualquer retórica ou política.

Mercados Emergentes

A participação dos mercados emergentes no PIB global cresceu substancialmente de 2002 a 2010, aumentando de 20% para 30%. Já no mercado de capitais, a participação dos emergentes aumentou somente de 11% para 14%, no mesmo período. Isso sugere que o aprofundamento financeiro não está crescendo de forma rápida o suficiente para aumentar o fornecimento de bens aos mercados emergentes. Esse problema é acentuado pelo excedente de poupança nesses mercados (apesar de grande parte deste excedente estar na China).

Além disso, o home bias está caindo mais rapidamente em países desenvolvidos do que nas economias emergentes, aumentando a pressão do “muito dinheiro atrás de poucos ativos”. A diversificação de carteiras também tende a produzir fluxos de capital dentro dos mercados emergentes.

Tudo isso resulta em pressão de baixa sobre as taxas de juros reais desses mercados, e uma pressão ascendente sobre o preço dos ativos.

América Latina

Na América Latina, o movimento mais relevante deste mês foi a queda generalizada nos preços das commodities e o fortalecimento do dólar norte-americano. O declínio no preço das commodities trouxe um alívio necessário para as metas de inflação dos países da região, reduzindo as pressões de apreciação nominal em suas próprias moedas e mantendo a inflação dos alimentos importados e energia relativamente moderada.

No entanto, uma vez que nossos estrategistas de commodities acreditam que haverá uma reversão na tendência de queda ao longo dos próximos 6 a 12 meses, um novo ciclo de normalização da taxa de juros deverá começar com força total para impedir um super aquecimento da economia e a aceleração da inflação.

O aumento das taxas de juros deve acontecer no Brasil, Chile e Colômbia. No Brasil, esperamos 50 pb (para 12,5%); na Colômbia, deve aumentar 75 pb (chegando a 4,5%); e no Chile vemos espaço para o Banco Central elevar a taxa de juros em 100 pb (para 6%).

A normalização da política monetária está chegando ao fim no Peru e deverá começar no México. Embora estejamos esperando um aumento de 25 pb no Peru (para 4,5%), o próximo relatório de inflação deverá dizer se o Banco Central peruano vê a retirada do estímulo monetário como uma medida adequada. No México, nossa previsão é de que o ciclo comece em outubro, com aumento de 25 pb, destinado a reforçar as credenciais do Banco Central na luta contra a inflação.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: