Cotação do câmbio continua caindo

Apesar das diversas medidas que vêm sendo adotadas para conter a valorização do real, a taxa de câmbio continua se apreciando. Nas últimas semanas, a taxa caiu de USD/BRL 1,67 para níveis próximos a 1,60.

Durante esse período, o governo implementou a cobrança de IOF de 6% sobre a maioria dos empréstimos estrangeiros, com vida média de até 360 dias. Ontem, essa medida foi estendida para os empréstimos de até 720 dias. Depois obrigou as instituições financeiras a realizar operações simultâneas de câmbio na rolagem de empréstimos externos, com o objetivo de equalizar o tratamento tributário entre as operações financeiras. Além disso, reagindo ao provável aumento das entradas de dólares, após a elevação do rating da agência Fitch para a economia brasileira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que medidas adicionais devem ser tomadas “para conter o excesso de dólares”.

De acordo com o Banco Central, as entradas líquidas em 2011 totalizaram US$ 33,5 bilhões de dólares até o dia 25 de março, já ultrapassando a cifra do ano inteiro de 2010, que foi de US$ 24,4 bilhões.

A balança comercial continua favorável, reforçando as boas perspectivas para o Brasil. Em março, o superávit comercial atingiu US$ 1,6 bilhão, o que representa um resultado anualizado, em termos dessazonalizados, de cerca de US$ 33 bilhões, significativamente acima da expectativa atual de consenso, que é de US$ 16 bilhões para o final de 2011.

Vale mencionar que o resultado de março não foi um caso isolado. Na verdade, esses valores, ajustados sazonalmente, são ainda maiores, com a recente reversão da tendência de deterioração do saldo comercial vista em 2010.

Para termos melhor avaliação dessa questão, atualizamos  nossos  modelos econométricos da balança comercial. De acordo com nossos modelos, assumindo uma taxa de câmbio de 1,65 e o índice CRB em 550 (este índice de preços chegou a 576 em 1o de abril), o superávit comercial atingiria US$ 24 bilhões neste ano. Assumindo a taxa de câmbio de 1,60, o superávit seria de US$ 20,2 bilhões, caindo para US$ 10,8 bilhões caso o câmbio fosse de 1,50.

Também fizemos um estudo que estima o valor de equilíbrio para a taxa de câmbio real, com base nos termos de troca (preços das exportações brasileiras X preços das importações) e nos fundamentos domésticos (dívida pública líquida em relação ao PIB) e a aversão ao risco global.

Nosso modelo sugere que, no 1o trimestre de 2011, a taxa de câmbio real estava cerca de 3% mais depreciada do que seu nível de equilíbrio. A principal razão por trás desse resultado é que o nível atual dos termos de troca estava próximo do seu mais alto nível histórico em fevereiro. Olhando para o futuro, dada a relação causal entre  os preços das commodites e os preços das exportações brasileiras, nossas condições comerciais devem continuar crescendo e acumulando pressões adicionais para valorizar ainda mais o real.

Dado esse cenário, aumentamos nossa previsão de superávit comercial em 2011 para US$ 21 bilhões, estabelecendo um viés de baixa nas previsões para a taxa de câmbio. Isso representa um déficit em conta corrente praticamente estável, em torno de 2,3% do PIB. Ao mesmo tempo, não esperamos nenhum declínio no preço das commodities, nem aumento de aversão ao risco de forma a impactar significativamente nossas estimativas.

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