Citi Corretora mantém otimismo com cautela em relação à bolsa

Em uma web conferência realizada nesta segunda-feira, 3 de setembro, os economistas da Citi Corretora fizeram sua análise mensal do mercado financeiro e a indicação da carteira sugerida para as pessoas que participaram do evento. De acordo com Fernando Siqueira, economista da Citi Corretora, o principal risco para o período continua sendo a crise na Europa, que estimula a compra de ações mais defensivas e de empresas com forte atuação no mercado nacional.

As ameaças provenientes da crise na Europa e a necessidade de ajustes fiscais nos EUA em 2013 provavelmente farão com que o Fed adote medidas de estímulo à economia norte-americana nos próximos meses. Já o programa de compra de títulos por parte do Banco Central Europeu aumenta a flexibilidade e dá mais tempo para lidar com a crise, embora tudo leve a crer que a Grécia deve mesmo deixar a Zona do Euro.

A China enfrenta uma produção industrial mais fraca, com a baixa nas exportações, e provavelmente terá cortes nas taxas de juros. Com esse cenário, as projeções do Citi são de 2,5% de crescimento do PIB global para 2012 e de 2,8% para 2013.

Confira abaixo a carteira sugerida (Top Picks) para o mês de setembro:

Bradesco
Sabesp
Gerdau
Embraer
CCR
Iguatemi
Tim
Cosan
Petrobras
AmBev

Os eventos online da Citi Corretora são gratuitos, para clientes e não clientes. Se você quiser participar, fique de olho na agenda, e inscreva-se para as próximas edições.

Flash: Produção industrial sobe 1,3% em fevereiro ante janeiro

A produção industrial brasileira subiu acima das nossas expectativas, ao crescer 1,3% em fevereiro na comparação com janeiro. Foi a maior taxa de crescimento mensal desde fevereiro de 2011, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

O resultado foi impulsionado por dois efeitos positivos temporários: a produção da indústria automobilística aumentou 13,1% no mês, enquanto a produção extrativa mineral aumentou 9,3% neste período. Por este motivo (e conforme já mencionado na análise do resultado do mês passado), os números de fevereiro não devem ser lidos como uma mudança de tendência na perspectiva da produção industrial.

Olhando para frente, a provável aceleração no crescimento da demanda doméstica deve melhorar o desempenho da produção industrial. No entanto, dada a sua maior dependência das condições globais, continuamos a prever um pior desempenho da produção industrial relativamente ao PIB nos próximos trimestres.

Crescimento econômico e seu reflexo na sociedade

* Por Leonardo Porto

Por que todos defendem a busca de um elevado crescimento econômico em uma sociedade? A resposta imediata à esta pergunta está na percepção de que quanto maior o crescimento econômico maior tende a ser o ganho de bem estar de uma sociedade. Neste sentido, apesar de existirem outras medidas que tentam captar a evolução do bem estar de uma sociedade, o crescimento do PIB ainda é a forma mais simples e comumente divulgada para explicar o sucesso ou fracasso de um determinado país. Em outras palavras, mesmo considerando que o coeficiente de Gini seria uma melhor medida para averiguar a desigualdade social de um país, ou o IDH seja um índice construído para avaliar de forma mais abrangente o desenvolvimento humano de uma sociedade, o crescimento do PIB continua sendo a medida mais utilizada nas análises econômicas de todo mundo.

No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB), medido trimestralmente pelo IBGE, é, a grosso modo, a soma do valor (adicionado) de toda a produção nos diversos setores da nossa economia. O seu crescimento significa que o total da produção está aumentando e, consequentemente, ampliando a renda total da sociedade. Neste ponto cabe distinguir o conceito de PIB e PIB per capita, sendo este último entendido como o PIB dividido pela população. Dessa forma, quando dissemos que nossa previsão de crescimento do PIB em 2012 é de 3,3%, significa que esta é a nossa previsão de elevação da produção este ano, comparada àquela verificada em 2011. Se levarmos em conta que a população brasileira cresce à taxa próxima de 1% ao ano, isto significa que o PIB per capita do Brasil tende a se elevar ao ritmo de 2,3% em 2012.

Ocorre que o crescimento do PIB sofre influências cíclicas significativas, o que leva os analistas a darem importância relevante à tendência de médio e longo prazo do PIB. Destaca-se o que é comumente chamado de crescimento do PIB potencial: aquela taxa de expansão da produção que é compatível com a evolução dos principais fatores de produção – a mão-de-obra, as máquinas ou equipamentos e a produtividade associada a elas. Pelo fato de o PIB potencial ser um conceito apenas teórico (não observável) há inúmeras formas de tentar mensurá-lo gerando estimativas, muitas vezes, completamente diferentes. Segundo nossos cálculos, o PIB potencial da economia brasileira cresce a uma taxa entre 4% a 4,5% ao ano, significando que expansões acima deste patamar tendem a gerar pressões inflacionárias crescentes (enquanto expansões abaixo deste patamar tendem a reduzir a inflação).

Mas quais fatores explicam a taxa de crescimento do PIB potencial e o que pode ser feito para impulsioná-la? Focando nos fatores de produção que a determinam, o crescimento da mão-de-obra está intimamente ligado à questões demográficas. Já a expansão das máquinas/equipamentos depende do volume de investimentos das empresas bem como da necessidade de reposição do estoque antigo (taxa de depreciação). Por fim, a produtividade dos fatores depende do avanço da tecnologia (especialmente das máquinas), da melhora do nível educacional da sociedade (que afeta a produtividade da mão-de-obra), mas também do avanço das instituições político-econômicas de uma sociedade que, entre outras coisas, incentivam a maior/menor tomada de risco por parte das empresas.

Considerando que nas últimas duas décadas a economia brasileira evoluiu significativamente no tocante ao número de crianças matriculadas nas escolas, pode-se dizer que tem havido certo avanço da escolaridade em nosso país, ainda que se possa discutir a qualidade deste ensino. Com relação às instituições, o ambiente político está mais estável, e enxergamos a aparente melhora em certas instituições (Banco Central, Judiciário, agências reguladoras, etc) quando comparadas aos anos 80. Disso sugere-se que o crescimento do PIB potencial deve ter aumentado ao longo deste período, mesmo após ponderado o menor crescimento da população em relação ao que se verificava no passado.

 

Leonardo Porto de Almeida é economista sênior do Citi desde agosto de 2008; mestre e doutor em Teoria Econômica pela FEA/USP.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 115 outros seguidores