Copom baixa novamente a Selic, conforme nossa projeção

Sem grandes surpresas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu cortar nesta quarta-feira em 0,5 ponto porcentual (p.p.) a taxa básica de juros da economia brasileira. Com a decisão, a Selic passa de 8% para 7,5% ao ano e atingiu novo patamar mínimo histórico. O corte da taxa de juros foi o nono consecutivo e confirmou as expectativas.

No comunicado divulgado após a decisão, o Copom excluiu a expressão: “dando prosseguimento ao ciclo de ajuste das condições monetárias” e incluiu uma frase dizendo que qualquer corte adicional será conduzido com a máxima parcimônia. Com isso, acreditamos que o Comitê deixa dois caminhos abertos para a reunião de 10 de outubro: ou corta a Selic em 25 pontos ou interrompe o ciclo de queda. Por isso, mantemos o nossa projeção que o Copom ainda implementará uma última redução da Selic em 25 pontos na próxima reunião.

Pontos-chave

No comunicado divulgado, o Comitê menciona que “considerando os efeitos cumulativos e defasados ​​das ações de política implementadas até o momento (…) se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido sob máxima parcimônia.”

Na referida declaração, o Copom reconhece também que a atividade econômica já está se recuperando. Dada esta perspectiva e a expressão “máxima parcimônia”, acreditamos que a probabilidade de execução de outro corte de 50 pontos percentuais em outubro reduziu-se significativamente.

A ata do Copom, a ser divulgada em 6 de setembro, provavelmente esclarecerá as mudanças no balanço de riscos do Copom. Como acreditamos que os sinais robustos de recuperação econômica continuarão escassos até a próxima reunião, mantemos nossa expectativa de corte adicional na Selic em 25 pontos para 10 de outubro.

Resultado de conta corrente fica abaixo das expectativas

O resultado da conta corrente no mês de maio ficou abaixo das expectativas, tanto nossas quanto do mercado, refletindo sobretudo um maior déficit em lucros e dividendos. Por outro lado, em termos de fluxos de capital, os investimentos estrangeiros diretos surpreenderam novamente, reforçando as entradas de dólares e, com isso, cobrindo o déficit em conta corrente.

Em maio, o balanço de lucros e dividendos apresentou um déficit de US$ 4,2 bilhões, enquanto o pagamento de juros totalizou US$ 0,1 bilhão. Além disso, o saldo de viagens internacionais chegou a US$ 1,1 bilhão negativos. O balanço de rendas e serviços registrou déficit de US$ 7,9 bilhões, enquanto a balança comercial apresentou superávit de US$ 3,5 bilhões.

O investimento estrangeiro direto ficou em US$ 4 bilhões, acima das nossas expectativas (US$ 3,5 bilhões) e das do mercado (US$ 3 bilhões), mas abaixo do resultado de abril (US$ 5,5 bilhões). Ao longo dos últimos 12 meses, o IED totalizou US$ 64,1 bilhões, acima do déficit em conta corrente do período, que é de US$ 51 bilhões.

O Banco Central e o consenso do mercado esperam que o déficit em conta correnta deve estabilizar em torno de US$ 60 milhões neste ano, com superávit comercial de US$ 20 bilhões, mesmo valor registrado no ano passado. Os nossos modelos, no entanto, sugerem superávit comercial de pelo menos US$ 21 bilhões, o que implica em um déficit em conta corrente da ordem de US$ 53 bilhões. O nosso cenário mais positivo é derivado de melhores perspectivas para o superávit comercial, uma vez que o preço das commodities continua elevado, em meio a uma relativa valorização da taxa de câmbio real.

IBGE anuncia inflação alta, mas abaixo das previsões

 IBGE anunciou hoje pela manhã o índice da inflação medido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).  A inflação em abril  atingiu 0,77%, abaixo da expectativa do mercado (o Citi estava prevendo alta de 0,87%, conforme explicado no post anterior). Mesmo assim,  a inflação do IPCA  nos últimos 12 meses continuou se elevando.

 As principais pressões para alta foram exercidas por vestuário, combustíveis e medicamentos.

 Pontos de destaque:

Nos últimos 12 meses, a inflação medida pelo IPCA aumentou para 6,5%, atingindo o limite superior da banda de metas de inflação (6,5%). No resultado de abril, os preços dos alimentos subiram 0,58% (uma desaceleração, comparando-se com aumento de 0,75% visto em março). O custo dos transportes aumentaram em 1,57% em abril ante março. O vestuário teve a alta  de 1,42% em relação ao mês março. (No mês anterior a alta havia sido de 0,56% ).   A redução do preço em eletrodomésticos (-0,62%, ante 0,21% de março) e a desaceleração nos aumentos dos preços dos alimentos (0,58% em abril ante 0,75% em março) explicam a diferença do IPCA em relação à nossa previsão. Esperamos uma queda significativa na taxa mensal de inflação nos próximos meses, apoiada por uma melhoria sobre os preços de combustíveis e vestuário. Por outro lado,  as medidas de núcleo de inflação deverão permanecer em patamares elevados.

Revisamos nossa previsão da inflação 2011-2012

A ata da última reunião do Copom sugere que o Banco Central irá confiar mais na taxa Selic  do que nas medidas macroprudenciais para trazer a inflação à meta em 2012. Entende-se isto pela expressão ”principalmente” usada antes   da citação sobre a potencial subida da Selic, sugerindo uma preferência por este instrumento.

O Banco Central aumentou a sua projeção de inflação do IPCA (Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para 2011 e 2012, considerando dois cenários (de referência e de mercado) e, em ambos os casos, as previsões  situam-se acima do centro da meta (4,5%). Apesar disso, a  autoridade monetária optou por reduzir o ritmo de subida das taxas de juros. A maioria dos membros do Copom considerou que  diante do esforço anti-inflacionário implementado (fiscal, macroprudencial e taxa Selic) garantiria uma reavaliação da estratégia de política monetária, reduzindo os aumentos de 50 para 25 pontos base.

Com base nesta comunicação, esperamos mais dois aumentos de 25 pontos base na taxa Selic  em cada uma das próximas duas reuniões .

A ata reflete a preocupação com a deterioração da expectativas de inflação, levando as autoridades monetárias  a reafirmar seu compromisso com a meta de inflação, sinalizando que irão continuar a aumentar a Selic, se necessário.   Por outro lado, a  estratégia de redução do ritmo  de alta da Selic num momento em que a perspectiva  da inflação é de piora é arriscada. Como conseqüência, espera-se um ritmo mais lento  de convergência da inflação para o centro da meta de 4,5%.

Esperamos que  o IPCA do mês de abril, a ser anunciado nesta sexta-feira, dia 6,  mostre inflação de 0,87%.  Acreditamos que a inflação deva cair significativamente ao longo dos próximos três meses, provavelmente contribuindo para reduzir as expectativas de inflação.

A inflação alta durante os primeiros meses deste ano foi, em parte, associada com a alta dos alimentos   e os preços dos combustíveis. Em abril, os preços dos alimentos devem contribuir com 0,19 pontos  base, enquanto a contribuição do combustível deve atingir 0,23  pontos base.

Os preços agrícolas no atacado  já começaram a cair, apontando para uma desaceleração dos preços dos alimentos ao consumidor no curto prazo. Além disso, são esperadas reduções nos preços dos combustíveis no mercado doméstico, refletindo o efeito positivo da safra da cana-de-açúcar. Como resultado, temos uma previsão de declínio  considerável da inflação mensal  para cerca de 0,3% (em média)  de maio a julho.

 O crescimento do mercado de crédito  desacelerou em março (de 20,8% em 2010 para 20,7% em 2011) , enquanto os indicadores do mercado de trabalho permaneceram  indicando aquecimento da economia, com a taxa de desemprego  orbitando níveis historicamente baixos. Neste contexto, a confiança do consumidor provavelmente permanecerá elevada. Prevemos que o PIB cresça 1,1% no primeiro  trimestre de 2011, o que implica uma aceleração em relação aos resultados anteriores (0,7%  no quarto  trimestre de 2010 e 0,4% no terceiro  trimestre de 2010).

Por essas razões, revisamos nossas previsões para a inflação do IPCA de 6,1% para 6,5% em 2011, e de 5% para 5,3%  em 2012. Uma consequência negativa da previsão do aumento da inflação em 2011  é a deterioração das expectativas de mercado  levando a pressões mais fortes sobre os preços em 2012. Isto nos levou a rever nossa previsão de inflação medida pelo IPCA em 2012 (de 5% para 5,3%, conforme já falamos) .

Em suma, embora nossas  novas estimativas  para a inflação ao consumidor em 2011 e 2012 permaneceram dentro do intervalo da meta de inflação (entre 2,5% e 6,5%), ambas as previsões se afastaram ainda mais do centro da meta de 4,5%.

Banco Central admite inflação maior e PIB menor em 2011

O Relatório de Inflação do Banco Central, divulgado ontem, admite que a convergência da taxa de inflação para o ponto central da meta (4,5%) vai levar mais tempo do que o previsto. O relatório aumentou a previsão de inflação e reduziu a previsão de crescimento do PIB para 2011, mas manteve relativamente inalterados os números para 2012.

Pela primeira vez, o Banco Central admitiu que as atuais taxas de inflação refletem, em parte, “um choque de oferta extraordinário” que deve continuar pressionando os preços para cima. Por isso, o BC acredita que a convergência da inflação para o ponto central da meta (4,5%) vai acontecer somente em 2012. Em 2011, a previsão de inflação subiu para 5,6%; em 2012, deverá ser de 4,6%.

A estimativa de crescimento do PIB, de acordo com o relatório do BC, caiu de 4,5% para 4,0% para o ano de 2011, convergindo para a estimativa de consenso do mercado.

Apesar do aumento significativo nas projeções de inflação de curto prazo, o Banco Central afirmou que o balanço de riscos de inflação evoluiu positivamente desde o último relatório, por conta da desaceleração da atividade econômica. Além disso, o relatório indica que dois terços do recente choque no preço das commodities já foram incorporados à inflação medida pelo IPCA  no ano passado.

Mesmo com essa demonstração de tolerância por parte do Banco Central em relação às metas de inflação, acreditamos que o Copom ainda deve implementar duas subidas de 50 pontos na taxa Selic, levando-a para 12,75%. No entanto, a probabilidade de termos uma alta de 50 pontos, seguida por outra de 25 pontos, aumentou.

Relatório do BC favorece alta dos bancos

Nesta quarta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,86% aos 67.997 pontos.

As ações dos bancos foram destaque de alta: Relatório de Inflação do 1º trimestre de 2011 mostrou que o Banco Central deve tolerar inflação um pouco mais alta neste ano, em função da expectativa de redução em 2012. Isto reduziu o risco de novos aumentos no compulsório ou medidas de restrição ao crédito, o que também foi bem recebido.

Ações da AmBev (AMBV4: +2,65%) fecharam em alta após a divulgação do aumento de impostos, em linha com as expectativas. Ações da CESP (CESP6: +4,22%) fecharam em alta com especulações sobre a privatização da empresa. Ações da Vale (VALE5: -0,55%) fecharam em queda com decisões desfavoráveis à empresa em processos judiciais.

O volume negociado somou R$ 5,7 bilhões, dentro da média dos últimos dias.

Pesquisa do Banco Central prevê inflação de 5,88% para 2011

De acordo com a pesquisa semanal do Banco Central, as expectativas de inflação continuaram a se afastar do ponto central da meta (4,5%). A nova projeção de inflação medida pelo IPCA, segundo consenso do mercado, é de 5,88% (era de 5,82% na semana passada). Para 2012, o índice permaneceu estável em 4,80%.

A inflação para os próximos 12 meses atingiu 5,36%, um pouco acima dos 5,35% registrados na semana anterior. Em relação ao PIB, o consenso reduziu a previsão de crescimento em 2011 para 4,03% (antes era 4,11%), enquanto a estimativa para 2012 declinou para 4,40% (de 4,45%) .

Ainda segundo a pesquisa do Banco Central, a expectativa para a taxa Selic permaneceu estável em 12,50% para o final de 2011, e em 11,25% para o final de 2012.

Em geral, o cenário das expectativas de inflação continua desafiador. Apesar da revisão para baixo no crescimento do PIB neste ano, a expectativa de inflação continua em tendência ascendente, complicando as perspectivas para a política monetária.

Citi é primeiro lugar no ranking de câmbio do Banco Central

O Citi Brasil conquistou, pelo quarto ano consecutivo, a liderança das operações no mercado de câmbio brasileiro, de acordo com o ranking do Banco Central. Em 2010, tivemos participação de 18,2% no mercado, com um volume negociado de US$ 197 bilhões, valor 25,4% superior a 2009. Gerenciadas pela Tesouraria, as operações de câmbio abrangem desde a compra e venda de travelers cheques e papel moeda para pessoas físicas, até transferências para grandes clientes corporativos.

A presença global do Citi é um fator determinante para a conquista dessa posição. Com presença em mais de 100 países, atraímos clientes interessados em destinar recursos para o exterior e empresários internacionais focados em investir no Brasil. Além disso, os clientes têm à sua disposição o atendimento especializado da célula de Edição de Câmbio, uma equipe que atua diretamente nas necessidades dos clientes para operações diárias de câmbio, oferecendo suporte para processos estruturados, como a emissão e manutenção de ROFs (Registro de Operações Financeiras), conversões de dívidas e demais operações de comércio exterior.

Janeiro fecha com saldo positivo

Segundo o Banco Central, o fluxo cambial fechou o mês de janeiro com superávit de US$ 15,5 bilhões. Os fluxos financeiros foram os principais responsáveis por esse resultado, registrando um ingresso líquido de US$ 14,4 bilhões. Já os fluxos comerciais somaram US$ 1,1 bilhão.

Em janeiro, o Banco Central comprou US$ 8 bilhões no mercado à vista, aumentando ainda mais suas reservas internacionais. Apesar disso, as compras do Bacen foram menores do que a entrada de capital, situação que não se via desde setembro.

O grande desafio do Banco Central

A inflação de 2010 foi de 5,9%, quase 150pb a mais que o ponto central da meta, que é de 4,5%. As expectativas de inflação para 2011 continuam altas. Por outro lado, apesar do aumento das exportações (cerca de 60% são commodities, que tiveram seu preço elevado em dólar nos últimos anos), o superávit comercial vem caindo e deverá levar a um déficit de conta corrente da ordem de 3% do PIB (foi de 2,3% no ano passado).

Lidar com as pressões inflacionárias continua a ser o grande desafio para o Banco Central, que tem se utilizado das medidas macroprudenciais com o intuito de controlar a elevação da inflação.

A economia está crescendo acima do seu potencial, cada vez mais orientada para o consumo interno. Uma tendência importante é a crescente divergência entre as vendas do varejo (principalmente devido à baixa taxa de desemprego) e a fraca produção industrial, que ainda não se recuperou após a crise iniciada em 2008.

Esse crescente consumo doméstico se deve, em parte, ao declínio do nível da pobreza nos últimos anos: o salário mínimo aumentou mais de 60% em termos reais, e a taxa de domicílios no limite inferior de renda saiu de 27%, em 2003, para 22%, em 2009. Essa redução da pobreza promoveu, principalmente, o maior consumo de bens duráveis.

Outro fator importante para elevar o consumo doméstico é o forte crescimento de crédito, impulsionado pelo BNDES, que disponibilizou pouco mais de R$ 300 bilhões (ou 8,5% do PIB) em linhas de crédito. Só o BNDES representa, atualmente, cerca de 20% do volume de crédito do Brasil que, em 2010, atingiu 20% de crescimento intraanual. Para 2011, o Banco Central espera crescimento de 15%, com a possibilidade de aplicação de novas medidas macroprudenciais para conter o aumento excessivo de crédito.

O mercado começa a acreditar que o Banco Central pode ter afrouxado seu compromisso com a meta de inflação, o que gera ainda mais expectativa. Tudo vai depender do esforço fiscal demonstrado pelo governo, mas a indecisão acerca do novo salário mínimo tem atrasado o anúncio do ajuste fiscal, prometido agora para a próxima sexta-feira. Há um consenso quase universal no setor privado de que o superávit primário de 3% do PIB com o qual o governo havia se comprometido não será cumprido.

De qualquer forma, o governo afirma estar comprometido com uma forte “consolidação orçamentária” neste ano e o tamanho do ajuste fiscal para 2011 será anunciado ainda nesta semana. Nossa expectativa é de um corte de cerca de R$ 45 bilhões, com a previsão de crescimento do PIB de 4,8%.

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